Criança feliz e idas ao hospital.
Primeiro fui atropelado, acho que tinha uns 5 anos na época, bem criança feliz que ao ver a mãe chegando em casa após uma viagem de quase um mês sai correndo pra cima do carro, querendo abraçar o mundo. não deu outra, hospital, raio-x, e… como assim o carro passou por cima das minhas pernas e não tenho nenhum osso quebrado? desloquei os joelhos, só. três dias de cama e estava bom.
Alguns anos se passaram, acho que tinha 8 anos agora, 8 ou 9, não lembro bem… e uma WalkMachine. Para os que não nasceram no meio dos anos 80, WalkMachine era um protótipo de motocicleta, com duas pás onde se apoiavam os pés e nenhum banco, e potência de 25cc ou menos. lembro que mal conseguia subir uma ladeira, e pra ligar tinha que puxar uma cordinha bem rápido. e puxava, soltava, puxava, soltava… até a bicha ligar. E quando ligava era o dia inteiro tomaz indo de um lado pra o outro, montando obstáculos, pulando, rodando, caindo, enfiando a cara na lama, e uma vez também, tendo uma queimadura de terceiro grau que perdeu uma parte da pele da perna direita.
Hospital de novo, queimadura, bláblá, “tenha mais cuidado com o que faz”, bláblá, eu não tava nem ai, chorava (claro) porquê doía, mas só. estava esperando sarar pra voltar a andar feito retardado na coisa mais próxima de moto que eu teria até os 24 anos de idade.
E novamente passou-se um tempo, acho que agora tinha uns 12 anos, Casa sempre em construção de Mathias e David, dois amigos que tenho desde 1992, o que pra os padrões de hoje é muito tempo. posso dizer com certeza de que são meus amigos mais velhos (Junto com o resto do grupo da falecida Coopeva). Estavamos de novo feito retardados correndo que nem loucos. Eu, David, Mathias e Rafael Carneiro (que por acaso, onde anda essa peste?) brincando de esconde-esconde quando tomaz decide se esconder dentro de um quarto em construção. “AHá!” – David gritou. Levantei assustado, corri pra a janela pra pular e bater no pique e me salvar de ser o quem procura. Apoiei minhas mãos no beiral, Joguei minhas pernas pra cima , Meu corpo todo passo a janela, Mas a bermuda não faz parte do corpo, né? ela não passou. ficou presa num preguinho safado escondido ali no canto. e a Bermuda gostava muito de mim e queria ficar sempre comigo. não me deixou passar. e eu virei de cara no cimento. sangue. SANGUE! AAAAHHHHHHH, eu correria de um lado pra o outro balançando os braços se pudesse, mas eu estava ocupado demais tentando me manter acordado. Fui apontado, gritado, carregado, limpado, assustado e hospitalizado (de novo), 10 pontos na testa.
Mudei de casa (antes morava num sitio, agora morava numa simpática casinha em cima de um vale em vilas do atlântico) e conheci novos vizinhos. Um dos vizinhos tinha um mico de estimação. que não me estimava muito, sempre me olhava e dava a língua. Eu dava de volta porquê não ia levar desaforo de mico pra casa. Ah, se eu soubesse que todas as vezes que eu mostrei minha língua pra aquele maldito símio miniatura eu estaria fazendo crescer nele uma raiva capaz de explodir, não com o medo que o senhor Chico de Assis pediu, mas com a coragem, e quem teve essa coragem não foi ninguém, foi Gilberto Gil, e fui Eu! Quer dizer, foi o mini-king-kong. que se pindurou em minhas pernas e foi escalando até chegar no meu dedo. e eu assim, paradinho, esperando acontecer alguma coisa como ele me dar um beijo na boca e me pedir em casamento. mas o Safado deu foi uma mordida em meu dedo que de novo, fui pra o hospital. Ponto no dedo, anti-rábica, e um curativo exageradamente grande pra que todos pudessem tirar sarro de mim na escola (como se ter só 25kg, usar óculos e aparelho ortodôntico não fossem o suficiente).
Fora isso, mais duas quedas de bicicleta com o joelho rachado por uma pedra que me deixaram sem andar direito por semanas, mas nada de pontos dessa vez.
Antes que eu me perca mais viajando por idas ao hospital, disse essa introdução toda pra falar que eu não tenho cicatriz alguma de todos esses ferimentos. MAS por algum motivo estranho, minha mão esquerda tem 2 cicatrizes. uma no dedão, que eu não tenho a menor idéia de como tenha acontecido, e outra no indicador, que eu também não tenho a menor idéia de como tenha acontecido. E agora, nessa viagem a chapada diamantina visitar minha ente materna (vulga mãe) mais duas coisas aconteceram exatamente na mão esquerda. Derrubei agua fervente. marca vermelha chata, mas nada de bolhas. e… *continua no próximo post*
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Que criança feliz, eu nunca fui hospitalizado por causa de uma brincadeira ou queda… Nunca quebrei um osso ou tive de dar pontos na testa.